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Chomsky e Joya Discutem Política dos EUA no Afeganistão

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"Quero dizer-lhe que ninguém pode me impedir de dizer a verdade", disse Joya.

Monica M. Dodge, The Harvard Crimson, 28.3.2011
tradução de Edu Montesanti

Malalai Joya and Noam Chomsky in Boston

Em evento na Igreja Memorial, Malalai Joya, a ativista aplaudida pelos afegãos, que recebeu visto após o Departamento de Estado tê-lo rejeitado semana passada, afirmou inequivocamente que a ocupação dos EUA no Afeganistão tem prejudicado a vida da maioria dos afegãos muito mais do que ajudado.

Joya falou ao lado do professor do Massachusetts Institute of Technology, Noam Chomsky, que também alertou contra os perigos, muitas vezes negligenciados em relação à ocupação dos EUA no Afeganistão.

"Os Estados Unidos invadiram meu país sob a bandeira dos direitos das mulheres, direitos humanos e democracia, mas hoje estamos tão longe desses objetivos como estávamos em 2001", disse Joya. "Eles mantêm a situação sem lei e insegura a fim de ter uma desculpa para ficar no Afeganistão, e alcançar seus próprios interesses".

Embora o governo dos EUA, há muito, denuncie o Taleban como principal inimigo no Afeganistão, Joya afirmou que, para o povo afegão, os Estados Unidos são uma força tão destrutiva quanto o Taliban.

"O povo afegão está esmagado entre três inimigos: os talibanoss, senhores da guerra e as forças de ocupação", disse Joya.

As observações de Chomsky também foram críticas em relação às ações dos EUA no Afeganistão, dizendo que o consenso geral entre os acadêmicos é de que a guerra é "militarmente invencível", e que os EUA devem chegar a um acordo político interno com Afghani e com os atores regionais, para levar paz à região. Chomsky disse que a interferência dos EUA no Afeganistão tem o potencial de desestabilizar o governo do Paquistão, país com mais rápido crescimento do arsenal nuclear do mundo.

Abordando recentes especulações se a negação de visto a Joya semana passada foi um erro cometido por um funcionário do Departamento de Estado, ou uma decisão excludente baseada em seu ponto de vista político, Joya disse acreditar que o governo dos EUA estava tentando impedi-la de expressar suas opiniões.

"A razão pela qual eles se recusaram a me dar visto, eu acho, é porque expus as políticas erradas do seu governo, e eu falo sobre a realidade da chamada "Guerra ao Terror", e falo sobre os crimes de guerra o quegseu Governo está cometendo em nome do povo norteamericano", afirmou Joya. "Essas são as razões pelas quais eles têm medo de mim, e não me deixam entrar os EUA".

Apesar da recusa inicial ao visto, e a cinco tentativas de assassinato que Joya tem sobrevivido, ela prometeu continuar falando contra as injustiças que, acredita, estão sendo cometidas em seu país.

"Quero dizer-lhe que ninguém pode me impedir de dizer a verdade", disse Joya.

Aqueles que compareceram ao evento, disseram ter gostado de ouvir as perspectivas que diferem tão radicalmente do que geralmente se apresenta na mídia dos EUA.

"Há tanta propaganda e tanta ação sob disfarce de democracia e liberdade, de maneira que, atualmente, ter um cidadão afegão sendo capaz de dar sua perspectiva, é muito produtivo", disse Sophie Vener, participante do evento.